A CARMINHA ERA UMA PESTE PORQUE NINGUÉM CONHECIA O JOE CARROLL

Quem me conhece sabe que eu tenho ZERO paciência para novelas, mas sou uma viciada assumida em séries gringas.
Eu até que me controlo; se assistisse a todas que eu gosto, não teria vida.
Mas a Netflix existe e eu tiro a barriga da miséria no meu iPad.
Longe de mim denegrir o trabalho do João Emanuel Carneiro e da Adriana Estevez. A última novela que eu mais ou menos segui foi “A Favorita”, obra dele, e a Adriana Estevez, se não fosse boa atriz, jamais teria sido tema de almoços, cantinhos de café, salão de cabeleireiros e até baladas. Não é disso que se trata o post, que fique claro.
Anninha, que “cazzo” é Joe Carroll? Para quem não sabe, é o personagem mais vilão do momento das séries produzidas na “Gringolândia”. Do momento, que fique claro.
Uma coisa que eu adoro nas séries americanas é a facilidade com que um personagem ou roteiro se desenrola, mesmo que muitas vezes os roteiristas dêem uma viajada que arrepia até o espectador menos atento. Eu atribuo isso ao valor que os EUA dão às Letras: lá, ser escritor ou roteirista é honroso. Não menosprezando o Brasil, aqui sempre se teve a errônea conotação de “gente que não tem nada para fazer”. Vergonhoso.
Pois bem. Se eu for listar TODAS as séries POLICIAIS ou de SUSPENSE que eu gosto, vai faltar espaço. Então, vou resumir da seguinte maneira.
Basicamente, eu classifico estas séries em dois grupos obviamente clássicos.

O elenco da 8a.temporada de "Criminal Minds".

O elenco da 8a.temporada de “Criminal Minds”.

Os “Good Guys”, onde os destaques são os personagens que combatem o crime. Nesta categoria, a minha favorita é “Criminal Minds”, (2005-), do AXN, cujo mote é uma equipe do FBI especializada em traçar o perfil dos serial killers. Não sou nenhuma psico ou sociopata, mas é bem legal assistir episódios inspirados nesses lunáticos; para conhecer esses seres “inumanos”, basta sintonizar no canal “Investigação Discovery”. Aí ainda se inclui todos os CSIs e Law & Order. Isso porque os personagens as vezes dão umas escorregadas, mas sempre por um motivo nobre.

"The Shield".

“The Shield”.

A minha outra categoria é a das séries dos “Bad Guys”, onde o destaque é um  personagem amoral – que visa benefício próprio ou tenta “fazer o certo a partir de motivações erradas”. Alguns dramas se encaixam nesta categoria, e eu vou voltar ao tema, mas em termos de séries POLICIAIS nenhum personagem foi tão bem representado como Vic Mackey do Michael Chiklis, na já extinta série “The Shield”, (2002-2008). Imaginem um policial durão no distrito mais perigoso de Los Angeles, que quer sim, combater o crime – mas também tira vantagem dele, muitas vezes em benefício próprio. Corram pro Netflix; eu estou revendo a série. Pior de tudo é que você vai torcer para ele se dar bem.
Anninha, de novo: quem é o p… do Joe Carroll?

Joe Carroll (James Purefoy) e Ryan Hardy (Kevin Bacon)

Joe Carroll (James Purefoy) e Ryan Hardy (Kevin Bacon)

Pois bem, mesmo com uma hipótese “viajante” – mas nos dias de hoje, não tão improvável – Joe Carroll é o vilão interpretado pelo inglês James Purefoy na nova série “The Following”, (2013-). A premissa da série, como eu disse, é meio viajante: um serial killer brilhante que consegue criar um culto a própria imagem, como uma religião. Seus seguidores fazem tudo por ele, inclusive, ajudar na sua fuga. Ou seja: ele consegue criar um monte de assassinos, dispostos a matar por ele ou simplesmente dar vazão a seus próprios instintos. Alguns deles são tão submissos que se deixariam matar “apenas” para que Joe Carroll sacie sua “fome de sangue”. E o James Purefoy está odioso, com aquele ar cínico, com o qual ele tem que tomar muito cuidado para não virar um canastrão.
O mocinho da série é o ex-agente do FBI Ryan Hardy, chamado para ser consultor do caso uma vez que foi ele quem prendeu Joe Carroll. Este é interpretado pelo Kevin Bacon que, coitado, faz de tudo para ver o personagem funcionar. Que fique claro que não é culpa dele: no lado maldade, a série manda bem, mas é impossível o FBI só se estrepar, né? Não há quem aguente. É aí que eu acho que a série tem seu ponto fraco.
Mas tem coisa mais odiosa do que ver um serial killer se dar bem? E pior, ver que há um bando de lunáticos que acham isso cool? Esse é o ponto forte da série na minha opinião: a premissa pode ser viajante, mas todos sabemos que esses lunáticos existem. Os Columbine Boys são exemplos clássicos. E ao mesmo tempo que isso é triste, também é interessante.
Para finalizar, hoje estréia “Hannibal”, (2013-), no AXN. Nos EUA já está no ar, mas eu não sou tão viciada a ponto de perder horas baixando episódios da internet. Mas vou confessar uma coisa: eu não comprei a cara desse Hannibal aí; sou muito mais o Anthony Hopkins – que por motivos óbvios, não pode interpretar o Hannibal Lecter jovem, né? Sei lá… Quero testar o tal aplicativo “segunda tela”, então, me preparei para isso.
Chega de serial killers por hoje, mas fica um “perfil” de Joe Carroll, “The Following”:

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EU SOU FÃ DO RICKY MARTIN

Mais um da série “eu sou fã”; dessa vez, do fofo – sim, em falta de palavra melhor – Ricky Martin. Ricky
Ontem o Ricky Martin comemorou 4 milhões de “likes” em sua página no Facebook – o meu entre eles há bastante tempo. E eu me lembrei que, apesar de ter demorado para “sair do armário”, ele mais do que merece esse reconhecimento, como artista e como pessoa.
Tudo bem que ele levou quase 30 anos para assumir a homossexualidade – com quase 40 anos de idade. Mas who cares? Esse cara foi exposto aos holofotes ainda criança, nos tempos do Menudo, o que mostra que ele já sabia bem o que queria – ser um artista famoso. E latino-americano é um “bicho” machista – ou seria melhor dizer, sexista – pra caramba.
Teve a imagem de galã latino bombardeada em todos os meios: novelas de TV, cinema, na própria música.
Não deve ser fácil esconder quem você é por tanto tempo. O ator Rock Hudson – os mais jovens, cliquem no link para saber quem é – escondeu a homossexualidade a ponto de se casar com uma amiga para manter a imagem de macho em Hollywood. Teve a homossexualidade exposta de maneira grosseira e cruel quando definhou por causa da AIDS, em 1985. Ok, nos anos 60, eu acho que a pressão era maior. Mas mesmo assim, a indústria da imagem judia.
Muita gente vai me dizer: “Afe, Anninha, Ricky Martin é brega”. EU SOU BREGA assumida. Adoro dançar “Livin’ la Vida Loca”, “She Bangs”, “Por Arriba, Por Abajo” e me esgoelar cantando sozinha no trânsito de São Paulo, “Saint Tropez” ou “A Medio Vivir” com meu espanhol de sotaque venezuelano.
Vamos combinar, Ricky: você nunca enganou ninguém. Lindo e rebolando do jeito que você rebola, sempre “deu pinta”. Mas todo o público o respeitou; nunca ninguém especulou ou o confrontou publicamente se você era gay ou não.
Pelo contrário: quando você se assumiu, teve o apoio de todo o mundo, gay ou não.
Sabe por quê? Porque acima de tudo, você é um artista carismático, que cumpre seu propósito: de fazer as pessoas cantarem, dançarem e viverem “la vida loca”.
Vejam bem: ele foi parar na Broadway, no musical “Evita”.
Então, parabéns ao Ricky. Que ele continue a ser quem é: humilde, lindo, talentoso, carismático, bom pai e bom companheiro.
Todos nós gostamos de você!

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AS APARÊNCIAS ENGANAM…

Kyle, Cartman, Stan e Kenny

Kyle, Cartman, Stan e Kenny

… “aos que odeiam e aos que amam”, já cantava Elis Regina, composição de Sérgio Natureza e Tunai, caso alguém se interesse.
Eles são fofinhos – dá vontade de apertar.
Eles são garotinhos – portanto, crianças “sinceras” e sem maldade.
Eles se sentem incompreendidos pelos adultos.
Eles moram numa cidadezinha no estado do Colorado – fictícia, porque eles são parte de um desenho animado.
Eric Cartman, Kyle Blofovsky, Stanley Marsh e Kenny McCormick – e mais recentemente, Butters Stotch – são todas as alternativas acima. Exceto que NENHUM deles é flor que se cheire.
South Park, (1997- )” é um desenho animado para adultos, há 16 anos no ar pelo canal “Comedy Central”. Criado por Trey Parker e Matt Stone, a intenção é mostrar crianças fofinhas, famílias “normais” de uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos e seu dia-a-dia.
O problema é que… as criancinhas não são boazinhas, as famílias não são normais, a cidadezinha é um poço de ignorância e preconceito e escatologia pouca é bobagem. A ponto de existir um cocô falante, Mr. Hankey – sim, um pedaço de merda, mesmo, em bom português.

“South Park” é do tipo ame ou odeie. Eu AMO, mas confesso que há episódios tão nojentos que são difíceis de assistir.
A amizade dos quatro garotinhos, apesar de tudo, é o que se vê na vida de qualquer criança:
– Kyle e Stan são amigos e os mais racionais;
– Cartman é o “gordinho” escroto, personalidade dominante da turma;
– Kenny é o mais zoado: além de pobre, ele “morre e ressuscita” em praticamente todos os episódios – se não me engano até a quinta temporada, quando ele “morre” definitivamente e é substituído por Butters, um garotinho inocente no meio de tanto lixo. Isso quer dizer que os episódios são TOTAL e POLITICAMENTE INCORRETOS.

TÃO politicamente incorretos que alguns episódios simplesmente são inacreditáveis.

Imagine que na escola, um aluno faça o número 2 nas calças – ele será zoado pelos colegas, certo? Na escola de South Park, Cartman puxa o coro. Após uma repreensão, Cartman sugere aos professores e à diretora COLOCAR LAXANTE na comida da escola, assim todos os alunos teriam diarréia e ninguém poderia zoar ninguém – exceto ele próprio, pois sairia ileso da empreitada.
Em outra ocasião, o Chef, cozinheiro negro do colégio com jeitão de cantor de R&B, resolve promover uma manifestação para mudar a bandeira de South Park, que ele considera racista “apenas” porque a bandeira traz quatro brancos, uma forca e… um negro pendurado na mesma. Como encontra oposição da população “conservadora”, que justifica que a bandeira homenageia os fundadores da cidade, a prefeita faz uma alteração na mesma: mantém o desenho, mas COLOCA UM SORRISO  no rosto do negro enforcado, o que significa que agora ele está “feliz e não sofrendo”, o que piora a situação e a cidade se vê dividida.
Na febre do iPad, até uma mãe “honesta” vira pedófila. Cartman não tem um iPad, e com raiva, dispara para a mãe: “Você só me fode”. Como se não bastasse, ele ainda solta isso no meio de um WalMart da vida e vai parar no programa do Dr.Phil, onde afirma que “minha mãe me fodeu no Natal, no meu aniversário e agora quer me foder de novo”.
Isso sem contar o que eles detonam com as celebridades: Bono, Mel Gibson, Paris Hilton – todos eles já tiveram episódios onde são completamente ridicularizados.

Eu poderia passar horas descrevendo os episódios, mas acredito que seja mais divertido – ou não – vocês mesmos assistirem.

Segue a abertura de presente.

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NO ESCURINHO DA SALA DE VISITAS

WIll Wheaton, Jerry O’Connel, Corey Feld e River Phoenix em “Stand by Me”.

Quem cresceu nos anos 70, com certeza se lembra dos filminhos caseiros. Eram “produções caseiras”, que nossos pais e tios faziam com uma câmera Super 8, em situações constrangedoras como churrascos, festas de aniversário, noite de Natal, sua primeira queda de bicicleta…
Naquele tempo não existia “sala de TV”, então a família se reunia na sala de visitas, onde se empurravam móveis, esticavam as cortinas e pronto: estava montado o cinema de vexames da Super 8.
Após meses, eu finamente assisti “Super 8” (Super 8, 2011), roteiro e direção de J.J.Abrams, em co-produção com o sempre ídolo, dele e de todos nós, Steven Spielberg.
“Super 8” tem uma história singela: após um estranhíssimo acidente de trem, uma cidadezinha começa a sofrer estranhas “intervenções” e desaparecimentos, entre outras coisas.
Claro: culpa dos ETs, os nossos extra-terrestres que Spielberg idolatra.
Eu adoro tudo que seja relacionado a vida alienígena; acredito mesmo que existam seres mais inteligentes do que os “terráqueos”. Mas MORRO de medo de ser abduzida!
Enfim, o roteiro foi do J.J. Abrams, que mostrou talento para fora das séries de TV que costuma produzir. Ele é mais conhecido como um dos criadores de “Lost”, (2004-2010). O que pouca gente se lembra, é de outros seriados que ele criou, como o romântico-sem-ser-açucarado-demais “Felicity”(1998-2002) e o primeiro seriado a colocar uma garota no centro da ação, “Alias” (2001-2006).
Aliás, foi através de “Alias” – me perdoem o trocadilho – que ele começou a explorar o tema conspiração. E aliás, “Alias” foi a série que desbancou “Arquivo X” (“The X-files, 1993-2002). Vale dizer que “Alias”, por mais fictício que tenha sido, não perdeu o rumo como “Lost”, que me perdoem os “lost addicteds”…
Enfim, o que me encantou em “Super 8”? Praticamente tudo. Ficção de primeira, com direito a estética da virada dos anos 70 para os 80. Personagens cativantes e temas que giravam no imaginário popular dos anos da Guerra Fria.

Quem cresceu assistindo a “E.T., o Extra-terrestre” (“E.T., the Extra-Terrestrial,” 1982), “Os Goonies” (“The Goonies”, 1985), “Conta Comigo” “Stand by Me”, 1986), será invadido por uma nostalgia inebriante.
Há a menina bonita e problemática; o gordinho mandão e simpático; o bonitão meio abobalhado; o nerd chegado em algo não convencional como explosões; o órfão que é o personagem mais “equilibrado” desta turma. Os melhores amigos, todos em suas bicicletas BMX.
O medo da invasão “soviética”- hoje não é mais União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS, viu gente? Hoje é só Rússia mesmo, e todos os outros países que foram ou tentam ser “desagregados” após o colapso do comunismo.
Claro que hoje os efeitos especiais dão lavada nos efeitos dos anos 80.
E o alienígena? Ah! Esse é uma obra-prima. Me lembrou de um episódio de “Arquivo X”, onde o alien só era detectado através de infra-vermelho – primeira ou segunda temporada, mas estou com preguiça de procurar o título do episódio. Meio doidão, o que nos lembra das coisas que voavam, literalmente “do além” em “Lost”. Um motivo nobre por trás de toda a violência da criatura…
Mas o lance do “filme dentro do filme”, os adolescentes como os “investigadores”, tudo isso é muito bom de assistir. Tanto que já assisti ao filme quatro vezes desde então.
Segue o trailer para quem não viu, ou quer ver de novo.
Steven Spielberg já tem seu sucessor…

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A RESIGNAÇÃO

Leila Hatami (Simin) e Peyman Moadi (Nader): até que a morte os separe?Com alguns meses de atraso – já que eu ando uma “intelecto-preguiçosa”, vou falar do ganhador do Oscar® de filme estrangeiro de 2012: “A Separação” (Jodaeiye Nader az Simin, 2011), filme iraniano que trata de… separação. Vale lembrar que eu mudei o parágrafo; quando comecei a escrever o post, ele ainda era “nomeado” e já havia levado o Golden Globe e mais um monte de prêmios.
Ok, qual a novidade em um filme sobre a separação de um casal – que Hollywood produz às toneladas?
Se você não tem um grande estúdio por trás, produtores com dinheiro para investir, atores de primeiro calibre – o que você faz? Investe no roteiro, claro. E foi isso que o diretor e roteirista Asghar Farhadi fez.
A surpresa do filme não é a história da separação em si – apesar não entender nada de leis islâmicas, fica muito claro que a separação do título é apenas um pretexto para expor o Irã atual, uma terra que ainda carrega resquícios de uma sociedade tribal e limitada a clãs. Sem mencionar a influência religiosa, que expõe as relações humanas entre as diversas classes sociais de um país que já foi um marco da História da humanidade. Enfim, o filme foi uma daquelas surpresas agradáveis – além de me levar de volta aos tempos de adolescente moderninha que frequentava as salas de cinema da Rua Augusta e região em busca das novidades européias, asiáticas e… do Oriente Médio?
Os créditos iniciais do filme se passam enquanto três passaportes são carimbados com vistos. Corta para a primeira cena, que mostra um casal perante um “juiz” – a mulher quer se separar do marido, uma vez que ambos e a filha conseguiram vistos para viajar ao exterior e o casal está em conflito. Situação: a esposa, Simin quer sair do país, o marido, Nader, não quer deixar o pai, que sofre de Alzheimer e nem permitir que a filha viaje com a mãe.
Segundo a lei iraniana, ou islâmica – eu não sei dizer – a separação, ou talvez o divórcio, só serão concedidos mediante acordo mútuo. Mútuo entre aspas: sabem aquela história de quando um não quer, dois não fazem? Aqui se aplica perfeitamente, pois o marido não quer, então, a esposa resigna-se em perder a disputa.
Mesmo assim, ela abandona o marido e a filha e volta a viver na casa da mãe. O marido deve então encontrar uma “faz-tudo”, alguém que faça o serviço de casa e ainda cuide de seu pai doente.
É então que entra em cena a empregada, uma religiosa extremista, que esconde do marido depressivo que está trabalhando. E o filme dá um reviravolta onde Nader, o marido se vê na condição de “injustiçado” pela lei, divergências entre os iranianos “liberais” e os fundamentalistas vêm a tona, a confusão que é o sistema judiciário iraniano nos deixa, brasileiros, felizes por ter um sistema ineficiente mas pelo menos, com direito a advogados.
Não dá para contar muitos detalhes porque é praticamente, contar o filme. Mas imaginem uma situação onde o espectador, a cada momento, encontra “novos culpados” pela situação, e conceitos como honra e orgulho são levados ao pé da letra, o que gera reviravoltas e mais reviravoltas – e resignação, acima de tudo.
Para quem não viu e pretende ver, segue o trailer do filme.
Sinceramente, um dos melhores filmes que já vi em minha vida.

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A DAMA DE OURO

Em continuidade ao tema cinema, dias atrás assisti “A Dama de Ferro” (The Iron Lady, 2011), que conta a trajetória da ex-Primeira Ministra britânica Margaret Thatcher.
Confesso que esperava mais do filme. Não que seja ruim. Mas há muito sentimentalismo – apesar da boa idéia de usar a senilidade da personagem principal para contar sua trajetória por meio de flashbacks, que por sua vez, não estão em ordem cronológica.
Eu vivenciei muito a era Thatcher; quando ela assumiu o poder eu tinha nove anos e meu pai era viciado em telejornais. Portanto, a partir do momento que ele chegava em casa, eu era submetida a “tortura” de saber tudo o que se passava no mundo. Hoje eu agradeço por isso.

A Thatcher "original"

Algumas imagens são reais, e eu me lembrei destes momentos. Talvez por isso, eu tenha me desapontado um pouco com o filme. Eu queria ver mais do lado político da Dama de Ferro, e acho que a tentativa de humanizá-la não condiz muito com seu papel na sociedade e na política mundial. Todos sabemos que a mulher era “turrona”, mas também, para enfrentar o parlamento inglês, só assim, né?
Por outro lado… minha atriz favorita ever, novamente dá um banho de interpretação.
Meryl Streep é uma daquelas atrizes atemporais. Nos anos 80, ela emendava uma filme atrás do outro. Alguns bons, outros médios, até que resolveu dar um tempo na carreira artística para se dedicar a família. Neste período, ela participou de uma ou outra produção mais modesta, foi “substituída” por novos “ícones”, mas quando voltou ao cinema, foi com carga máxima.
A filmografia dela é tão ampla, que não me atrevo a comentar filme por filme, mas estou para ver uma atriz tão versátil, que consiga mudar de sotaque, expressões faciais, navegar em diversos gêneros de filme quanto ela.
Uma das minhas interpretações favoritas de Meryl Streep foi em “Kramer X Kramer” (Kramer X Kramer, 1981), cujo link eu coloco abaixo. Foi este papel de coadjuvante que iniciou sua trajetória rumo a categoria das estrelas máximas do cinema, quando ganhou seu primeiro Oscar®, ao interpretar a mãe que abandona o marido e o filho e depois “muda de idéia”. Com esta nova indicação, por “A Dama de Ferro”, ela já foi nomeada dezoito vezes ao Oscar®, e venceu duas. Acho que não há no cinema atriz como ela.
Então, para os que forem assistir “A Dama de Ferro”, prestem atenção a interpretação da Dama de Ouro.
Sim, porque na minha opinião, quem carrega o filme, é vovó Meryl.
Uma curiosidade que eu li no imdb.com: quando ela pergunta “How do I look?”, era para saber a opinião do Dustin Hoffman, pois pensou que a cena tivesse terminado. O diretor decidiu mantê-la.

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OS ROTEIRISTAS QUE NÃO REESCREVERAM O LIVRO

De volta a vida, após alguns meses de descaso com este blog.
Como os cinemas estão bombando com bons filmes, achei melhor escrever logo, pois estou em ritmo de Oscar®.
Semana passada assisti a versão Hollywood d’ “Os Homens que não Amavam as Mulheres” (The Girl with the Dragoon Tattoo, 2011). Para quem – se é que existe alguém – não sabe do que se trata, é o primeiro livro da Trilogia Millennium, escrita pelo sueco Stieg Larsson, que ganhou notoriedade não só pelo thriller que conta a história da hacker -investigadora Lisbeth Salander e do incorruptível jornalista Mikael Blomkvist quanto por sua morte prematura, aos 50 anos. Se alguém quiser mais detalhes, é só ler este post: “A Trilogia que me tirou o sono”.
Li os livros por indicação de uma amiga – que para indicar um best-seller, é porque gostou muito – e fiquei viciada. São mais de mil páginas distribuídas em três livros, confesso, cheias de digressões que as vezes embaralham a mente .
Enfim, já havia visto – e comprei o DVD – da versão sueca do filme, “Män som hatar kvinnor”, 2009, e achei alguns personagens fiéis, mas a história em si foi muito resumida e detalhes importantes foram deixados de fora.

Rooney Mara como Lisbeth Salander

Quanto a versão Hollywoodiana, minha maior dúvida seria o calibre da atriz escolhida para viver a anti-heroína Lisbeth Salander, Rooney Mara, escolhida do diretor David Fincher. Até então, eu só a conhecia através da nova versão d’ “A Hora do Pesadelo” (Nightmare on Elm Street, 2010) e da ponta que ela faz como Erica Albright, a namorada de Mark Zuckerberg que o “instiga” a criar o facebook®, em “A Rede Social” (The Social Network, 2010), dirigida pelo mesmo David Fincher.
No filme sueco, a interpretação da atriz Noomi Rapace foi tão visceral que eu duvidei que alguém alcançaria tal performance. Não desmerecendo seu trabalho, a Rooney Mara mostrou ser uma Lisbeth Salander a altura. Em alguns momentos, até mais esquisita. Quem leu o livro, ou viu o outro filme sabe que há algumas cenas duras de engolir para quem é mulher – e ela foi perfeita, a ponto de dar desespero… Mas claro, ela se vinga com louvor depois.
A versão americana também foi mais fiel ao livro. Demorou um pouco até os personagens se cruzarem, assim como no livro – o que eu acho que no cinema, pode ser aborrecido – mas a partir do momento em que os personagens se cruzam, o thriller embala.

Noomi Rapace como Lisbeth Salander 

Entendo que a versão sueca deve ter tido um orçamento muito abaixo da Hollywoodiana – mas não justificou o fato de ter deixado de fora alguns momentos-chave da história, como quem descobre o mistério dos números.
Acho que este foi o ponto forte do filme: os roteiristas foram fiéis a história e quem é rato de livraria, curte isso. Até hoje eu estou frustrada com a não-existência dos “explosivins” no filme “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, mas isso é outra história.
E meninas, vamos combinar: quase três horas de Daniel Craig vale o sacrifício, né?

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ENQUETE: A INDISFARÇÁVEL NATUREZA DO SER

A enquete é para pegar fogo.
Poderia um livro ter título mais perfeito que este? Estou falando d’ “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera.
Há dois dias atrás assisti novamente a versão cinematográfica. A história se passa durante e após a “Primavera de Praga”. O livro eu li quando tinha uns quinze anos e fiquei fascinada pela história – um retrato de como a invasão soviética acabou com a vida do triângulo amoroso do médico Tomas, sua esposa Teresa e sua amante Sabina. A Sabina inclusive, é uma das minhas personagens femininas favoritas, “Sabina e seu chapéu-coco”.
O filme, de mesmo nome foi uma produção americana, dirigida por Philip Kauffman, e trazia nos papéis principais o inglês Daniel Day-Lewis como o infiel Tomas, a sueca Lena Olin como a livre Sabina e a francesa Juliette Binoche, como a monogâmica e ingênua Teresa. Não que o filme seja ruim: ele é apenas médio, na minha opinião. A sensação que me deu foi de que o Philip Kauffman gastou a tinta na erotização do filme – a história por si só já é erótica – e esqueceu da parte política. E aí ficou aquela sensação de que eles tiveram que correr para acabar o filme.
Na história,  Tomas se casa com Teresa após uma paixão fugaz. Eles se conhecem rapidamente numa cidade do interior e do nada, ela aparece em Praga e do nada, passa a morar na casa dele.
Por outro lado, Tomas tinha um relacionamento com Sabina, antes de conhecer Teresa. Ela era a única mulher que o entendia: nunca se incomodou com seus romances ou as transas – como médico, ele simplesmente “examinava” todas as enfermeiras do hospital.
Quando ele conhece Teresa, seu relacionamento com Sabina sofre um leve abalo. E aí percebemos que a própria Sabina tinha ciúmes de Tomas – por mais que tolerasse seu comportamento, ela também o amava, de forma diferente. E mesmo casado, ele não para de pular a cerca. E Teresa tolera todas as traições porque ama Tomas e não tem mais ninguém.
Outro dia, eu e uma amiga perguntamos para um amigo nosso: “Por que os homens traem?”
E ele respondeu: “Sei lá, acho que homem consegue fazer sexo sem se envolver mais facilmente que a mulher”.
Como tenho amigos casados, solteiros, encalhados, resolvi fazer o circo pegar fogo. O voto é secreto, portanto, quero ver VOTOS.

E para finalizar, o trailer do fime:
watch?v=Cn5EIGlzbqY&feature=share.

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ONDE HABITA ALMODÓVAR

Há algum tempo, eu escrevi um post sobre um dos meus cineastas favoritos, Pedro Almodóvar. Se quiserem mais detalhes, procurem na categoria Cinema do blog, “Mais Altos que Baixos de Almodóvar”.
Ontem estava no shopping cansada de procurar um determinado tipo de sapato número 33 – sim, eu calço 33 – e resolvi assistir “A Pele que Habito” (La Piel que Habito, 2011) . Muita gente meteu o pau no filme. Mas uma coisa me chamou a atenção no cinema ontem: o brasileiro médio não está pronto para filmes fora do esquemão Hollywood.
Não é a melhor obra de Almodóvar. Mas não é nem de longe tão ruim quanto “Kika” (Kika, 1993), na minha opinião, o filme menos inspirado dele. Eu até quero assistir de novo para ter certeza de que este filme não é tão ruim quanto me lembro. Em tempo: segundo meus amigos, tenho uma memória espetacular, portanto, o filme dever ser ruim mesmo.
Antonio Banderas é um cirurgião que desenvolveu uma pele sintética, transgênica. Tivera sido desenvolvida anos atrás, ele teria salvo a esposa, que falecera vítima de queimaduras – mas não necessariamente por causa delas. Banderas sempre foi um coadjuvante até “Ata-me”(Ata-me, 1990), que ele co-protagonizou com a Victoria Abril. Este filme colocou Banderas no spot de Hollywood. Mas ele nunca teve um papel decente por lá, a não ser nos filmes do Robert Rodriguez. Aqui ele teve a chance de mostrar talento, mas eu achei sua interpretação contida demais para um filme do Almodóvar. A seu favor, posso dizer: ele está ainda mais charmoso do que nunca!

Elena Anaya e Marisa Paredes

Marisa Paredes, uma de minhas atrizes favoritas, é a “cúmplice” dos experimentos do médico. Sem comentários. Ela está perfeita no papel.
A vítima é Elena Anaya, mais conhecida por “Lúcia e o Sexo” (Lucía y el Sexo, 2001) e algumas participações em Hollywood, se bem que eu não me lembro muito dela.
Como em todos os filmes de Almodóvar, há a reviravolta do roteiro – que eu saquei logo, talvez pela “prática” – fortes menções ao homossexualismo e lógico, o relacionamento vítima e algoz. O que não funciona no filme são os atores falando português. Fico feliz que Almodóvar adore o Brasil e a Bahia, mas Pedrito, não mistura as coisas, vai!
Português à parte, vamos ao que mais me fascina em Almodóvar: o relacionamento vítima-algoz. Não somente no sentido literal da palavra: ele mostra que no dia-a-dia somos todos vítimas e algozes, e há um prazer sado-masoquista nisso. Pode ser em relação ao trabalho, as paixões e amores, às relações familiares. E eu acho essa sacada do Almodóvar o gancho” principal de sua carreira. Então, por mais fraco que o filme seja, é melhor que muito lixo que lota as salas de cinema por semanas.
O filme é um thriller que toca em temas comuns aos europeus, mas nem tão comuns ao brasileiro – que se diz liberal, mas tem a cabecinha tão fechada quanto um cofre.
Em cenas dramáticas, o povo no cinema RIA. Sim, eles caíam na gargalhada. Gente: não é engraçado. Essa risada chega a ser preconceituosa. E isso me empolgou a escrever o post, senão, eu passaria batido.
Almodóvar é o cineasta europeu mais popular hoje em dia. Mas eu acredito que quem ri de Almodóvar quando NÃO é para rir, jamais vai entender um Ingmar Bergman, um Win Wenders, um Federico Fellini.
Algumas vezes eu acho que as pessoas perdem a noção do que é belo e inovador. Não vou dizer que eu não dei umas risadas durante o filme. Mas o meu timing era diferente do das outras pessoas.
Quem me conhece sabe que eu não sou esnobe nem metida, mas eu fiquei chocada com a reação das pessoas: eles riam das cenas como se fossem pornochanchadas brasileiras dos anos 70, o que não é o caso.
Enfim, não entra na minha lista de favoritos do Almodóvar. Mas que é melhor que  “Gigantes de Aço” (Real Steel, 2011), isso é. Que me desculpem os pais e os fãs de vale-tudo.
Mais um detalhe, este para as meninas: a mãe da vítima aparece com uma bolsa Gucci New Jackie e a Marisa Paredes com uma Gucci Bamboo! 😉

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SÓ CARISMA RESOLVE?

Com a intenção de assistir todos os filmes possíveis – além dos meus DVDs – tenho batido cartão no cinema desde domingo.
Há filmes que surpreendem, mesmo que o plot seja manjado.
Tempos atrás assisti sem muita pretensão “500 Dias com Ela” (500 Days of Summer, 2009). O enredo era meio manjado: um arquiteto que trabalhava como designer de cartões de presente conhece “a mulher da vida dele” que dá-lhe um pé no traseiro. Entretanto, eles mudam a maneira como vêem o amor depois desse romance. Mas o lance do filme é a narrativa, em flashbacks, onde se pode perceber nitidamente, quando o romance começa a mostrar sinais de cansaço – perceptíveis para quem vê de fora, imperceptível para o protagonista. Os atores, Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel, não eram tão conhecidos do grande público, o filme era de baixo orçamento, mas o roteiro bem amarrado e a direção afiada resolveram o problema. E claro, os dois atores tiveram química suficiente e estão excelentes nos papéis.
Hoje, assisti “Amizade Colorida” (Friends with Benefits, 2011). O título original é um jargão gringo para amigos que transam de vez em quando – e pelo menos dessa vez, a distribuidora acertou na tradução. Ao contrário de “500 Dias com Ela”, o roteiro não traz surpresas. Ok, a maneira como eles se conhecem é diferente dos outros filmes, mas o conteúdo é o mesmo. O que carrega o filme, surpreendentemente, é o carisma dos atores: o mais-rodado-que-taxi-de-aeroporto Justin Timberlake e a beldade ucraniana Mila Kunis. Aliás, o JT eu sei que dá conta do recado, mas a Mila tem me surpreendido cada vez mais – desde a Jackie da sitcom “That’ 70s Show”, ela andava apagadinha, com participações em filmes para a TV ou de baixo orçamento, um papel coadjuvante em “O Livro de Eli” (The Book of Eli, 2010)até aparecer como a rival da Natalie Portman em “Cisne Negro”. Ah! Ela também namorou o Macaulay Culkin por OITO anos – que é mais do que toda a carreira dele. Evil comment, I know.
Ela tem timing para a comédia e o JT, como eu já disse em post anterior, se bem dirigido, consegue atuações bem decentes. E é isso que leva o filme. Sem falar nas externas de New York e Los Angeles. E claro, atores experientes como a Patricia Clarkson, que interpreta a “slutty-mum” da personagem da Mila e o Richard Jenkins, que segura a barra como pai do JT.
Meninas: o JT é feinho, mas tem um tanquinho de fazer inveja a qualquer um.
Meninos: a Mila Kunis aparece 60% do tempo em lingerie, então, vocês não têm desculpas para não levarem as namoradas – a não ser que elas sejam ciumentas.
Em seguida, eu iria assistir a mais um filme da 35a. Mostra Internacional, mas achei o tema meio pesado e mudei de idéia: não estou a fim de ficar deprê!
E a propósito: “A Pele que Habito” (La Piel que Habito, 2011), estréia esta semana. Almodóvar e Banderas juntos depois de muitos anos! Este eu preciso ver, Almodóvar é Almodóvar!

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