Bolsas – Papo de Meninas

LV Speedy

Meninas, resolvi colocar em prática meu lado consumista-perdulária-perua-fashion victim. Vou colocar posts esporádicos sobre como descobrir uma bolsa falsa.
Claro que eu só farei isso com as bolsas que eu tenho e posso comparar – e com as bolsas de amigas que quiserem colaborar e me emprestarem as respectivas originais para que eu possa compará-las com as fakes.
Gente, quem me conhece sabe que eu não compro nada pirata. Simplesmente porque eu acho que quem trabalhou naquilo merece receber o seu. Ou nós gostamos de ralar o mês inteiro para depois não ver o fruto – leia-se dinheiro – do nosso esforço?
E foi por estas e por outras que eu só comprei a minha primeira bolsa de griffe depois dos 30 anos. E não foi nenhuma exorbitância: eu comprei uma Longchamp, na loja de mesmo nome, no aeroporto Charles de Gaulle, bem singela, após ser convencida por uma amiga. É um modelo pequeno de couro azul petróleo, discreta e ótima para um jantarzinho. E com um cartãozinho que dizia que a bolsa havia sido verificada pessoalmente por uma tal Annie.
E claro, quando resolvi que era hora de gastar em bolsas de griffe, eu comecei com Louis Vuitton. Fui até o shopping Iguatemi e pedi uma bolsa que não fosse “modinha” e na qual coubesse tudo que eu queria, que é o equivalente a tentar enfiar o Brasil no estado de São Paulo. Saí de lá, sorrisos mil, com o modelo Palermo PM, Monogram Canvas, em três vezes no cartão. Mas o dinheiro é meu, eu não iria viajar naquele ano e a bolsa é original. E ninguém tem nada a ver com isso, certo? 😉
Algum tempo depois, adquiri a famosa Speedy 25, na versão Damier Ebene. Fui para Nova York e saí de lá com a Neverfull MM, também Damier Ebene.
As meninas que não estão familiarizadas com as Vuitton, sem ofensa, olhem o site. Mas para facilitar, é o tipo de estampa da lona.
Sim, LONA. As Vuittons mais populares são feitas de lona, o que nos EUA eles chamam de Canvas e na França, de Toile. Mas é uma lona tratada, especial, resistente a riscos, quedas, e outras atrocidades cometidas pelas celebridades ou por simples mortais.
E o forro é algodão rústico. O forro pode variar de acordo com o modelo: marrom nas Monograms, vermelho nas Ebenes, etc.
Vou ser convencida. Tenho quatro Vuittons originais: uma Ellipse MM foi “herança”, e comprovadamente verdadeira pois a vendedora da Vuitton do Iguatemi fez a gentileza de checar para mim o código da bolsa; tive que voltar lá uns dias depois para ela me mostrar a resposta deles de que a bolsa é original.
Amo todas elas. E explico por quê: por mais fútil que possa parecer, quando eu carrego a minha Gucci New Jackie eu sinto que eu consegui!
Por isso, decidi que vou começar a colocar no blog, pequenos artigos sobre como identificar as bolsas fakes que infestam o mercado. E para fazer este trabalho, eu tive que comprar bolsas fakes.
O primeiro modelo que eu colocarei aqui é o Tivoli GM da Vuitton, em comparação com a minha muito original Palermo PM. Isso porque estas bolsas são parte de uma coleção muito similar e por isso, eu consigo apontar as divergências, que vocês verão pelas fotos do primeiro post.
Claro, não critico que compra fake. Tenho uma amiga que a-do-ra bolsas fakes. Eu por princípio não compro, mas assumo aqui que comprei a Tivoli fake num destes site qualquer, o qual não vou citar nome para não me complicar. Comprei porque queria abrir os olhos de garotas que têm o desejo, mas ainda não podem comprar uma original e se deixam enganar facilmente.
Confesso também que adquiri duas outras Vuitton fakes, para artigos posteriores. Mas confesso que uma delas é tão perfeita, tão igual, que parece que veio de um caminhão roubado pelos capangas do Tony Soprano, de The Sopranos – vejam meus posts sobre TV para detalhes.
Meninas, para começar: NINGUÉM, em sã consciência vai vender uma bolsa em leilão – a partir de R$ 1,00 ou R$ 199,00 – que custa em média, US$ 1.750,00. Isso não existe. Acreditar que uma pessoa “importou” uma bolsa dos EUA a essa bagatela é ingenuidade. Então, você PODE querer se enganar, mas sempre vai saber que o que carrega nos braços não é o seu verdadeiro sonho de consumo.
Bolsas de griffes famosas não são vendidas com “pequenos defeitos”. Sim, você encontra outlets onde há lojas dessas griffes que vendem as bolsas com algum desconto, mas isso só significa que as bolsas mais populares não estarão a sua disposição ou então, todas as bolsas são peças de coleções passadas ou de pouco sucesso.
Confiem em mim: estive no outlet da Balenciaga, em upstate New York há pouco mais de um ano e as bolsas modelo Motorcycle que eu quero, inclusive nas cores esdrúxulas que eu quero, custavam entre US$ 2.600,00 e US$ 3.700,00. Então, não existe outlet no mundo que vá vender lote de bolsa a módicos US$ 100,00.
Hermés Birkin falsas são leiloadas como originais por coisa de US$ 3.000,00! Imaginem: algumas Birkins são guardadas em cofres, ninguém vai vender uma bolsa de EUR 12.000,00 por R$ 6.000,00 né? Só se a pessoa estiver falida e desesperadamente necessitada por dinheiro, e mesmo assim, ela ainda pode “socar a bota” e ganhar muito mais se for uma bolsa original.
Lembrem-se que uma bolsa de griffe é um modelo criado por um estilista “visionário” ou nem tanto, mas que por alguma razão, sobrevive décadas, caso da Chanel 2.55 e da Hermés Birkin, copiadas em todo o mundo. E justamente por esta razão, elas são feitas por artesãos manualmente, não são feitas em linhas de produção de fábricas. Estas bolsas também são conhecidas como icons, literalmente ícones, pois todos cobiçam e copiam.
Agora… as bolsas vendidas como “originais” nestes sites populares, essas sim são feitas em linhas de produção por algum trabalhador chinês mal pago, em ritmo de trabalho escravo. E esta é uma das razões pelas quais eu não gosto de comprar as fakes – apesar de ter comprado Vuittons e uma Gucci para começar a escrever meus artigos. Espero que eu seja perdoada por contribuir com essa indecência. 😉
Quem tiver sugestões ou comentários a acrescentar, não se acanhe! Quanto mais soubermos, menos ludibriadas seremos!
Fiquem atentas ao primeiro post! E afinal de contas, Samantha Jones está certa!

18 respostas para Bolsas – Papo de Meninas

  1. Tilieh disse:

    Uma Motorcycle da Balenciaga custa U$ 1895,00, como você pode ver no site. Comprei a minha na Neiman Marcus e outra na Itália.

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  2. Maralu disse:

    Meninas, somente as ORIGINAIS agregam valor ao camarote

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  3. Daniela disse:

    Oi Anninha,
    Também um sonho de consumo em uma tivoli pm. Estou negociando com uma moça de Minas que diz ter nota fiscal sacola da loja. Me mandou umas fotos e os bolsos internos apresenta um liso e o outro num formato p colocar celular. Existe tivoli pm com esses bolsos internos assim?
    Será que vc poderia me ajudar a identificar se ela é original ou não? Poderia me dar seu email p eu enviar as fotos p vc ver??
    Beijos
    Daniela

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  4. Pingback: TRUE or FALSE POST# 2: MIU MIU MATELASSÊ | SHORT CUTS – CENAS DA VIDA

  5. Mirela oliveira disse:

    Amei teu site, Qro tirar uma dúvida , vou comprar uma Louis Vuitton Speedy 30, mas estou com medo de estar comprando uma falsa. Se vc puder me ajudar, entra em contato por email. Obrigada… Abs

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    • Anninha disse:

      Posso sim, Mirela. Vou te mandar fotos da minha Speedy. Ela não é a monogram, é a Damier, mas atente para os detalhes do acabamento.
      E MUITO importante: NÃO existe forro de “camurça”. A LV é forrada de algodão grosso, com uma textura como se fosse um “linho” encorpado.
      Me passe seu e-mail, por favor.

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  6. Vanessa disse:

    Olá Aninha e meninas, eu amo bolsas, como a maioria de nós…risos, só que sou dona de casa e falida…risos denovo, por isso busco nos bréchos e “mercados online da vida”. Já busquei réplicas eu admito, sempre consciente que não eram originais, mais não me sinto a vontade com elas, esse ano um milagre aconteceu eu consegui compra uma Speddy 40 vintage (provavelmente dos anos 80 feita nos Estados Unidos), por môdico 60,00 reais, pode ter certeza que agora eu sei porquê elas são por volta dos 2.500,00 pra cima, o toque da canvas e totalmente diferente e continua linda é um ícone mesmo…resumo o que bom de verdade vale cada centavo.
    Beijocas,
    Vanessa.

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    • Anninha disse:

      Oi, Vanessa.

      Cuidando bem, vai durar séculos.
      E nem encane com o lance do brechó: só tome cuidado porque tem muita gente IXperta que jura de pés juntos para o brechó que é original e é uma réplica.
      Tenho uma LV Elipse “herdada” que está inteiraça. O couro já escureceu – o tal efeito bronzant – mas é impressionante como não deforma.A Elipse tem uma estrutura dura, e acredite se quiser, “cai em pé”. Já dei umas arrepiadas na fofa e não arranha.

      A Gucci Jackie que você viu tem o fecho “novo”? Fecho da Gucci é de um “ouro esverdeado”. A Jackie antiga era quadradinha, a nova eu vou colocar um post rapidinho pra você ver.

      Até

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  7. Marya Concchia disse:

    Oi, parabéns pelo blog. Muito bem feito!
    Interessante o fato de chamar a atenção para o aspecto ético relativo à produção das bolsas e outros artigos. Infelizmente, as grandes casas da moda movidas por interesses não propriamente éticos também estão recorrendo em modo muito velado e através de terceirizações não documentadas ao uso da mão-de-obra barata e com condições de trabalho precárias.
    Moro na Italia e alguns jornalistas sérios produziram documentários nos quais relatam como o setor artesanal dos sapateiros da região Marche (centro Italia), tradicionais na produção de calçados de altissima qualidade foi praticamente quebrado quando as grandes maisons deixaram de fazer encomendas e começaram a entregar as ordens de pedidos aos chineses, não na China, mas em territorio europeu.
    Quanto às bolsas, a reporter (que foi processada e ganhou a causa!) mostrou como uma bolsinha de uma grande griffe (“aquela” preferida pelo diabo…) è produzida na cidade de Prato, na Toscana a +/- 26 euros por uma oficina “terceirizada-da-terceirizada-da-terceirizada” chinesa e depois è vendida na loja da Via Montenapoleone em Milão por 450 euros!
    O titulo da materia è Schiavi del lusso (Escravos do luxo) e foi produzido pelo programa Report da RAI.
    Existem artesãos italianos que estão fechando as portas e demitindo funcionários porque mesmo produzindo artigos de alta qualidade e pagando salários de verdade não conseguem competir com as grandes griffes e não conseguem mais receber as encomendas que antigamente justificavam os altos preços dos produtos.
    Não estou dizendo que todas as grifes usam mão de obra chinesa. O problema è que não dá para ver uma oficina de costura com ótimas profissonais fechando as portas (gente desempregada desesperada e empresários que estão se suicidando) e quando olho a etiqueta de um jeans de marca famosa e cara vejo um made in Turquia, Indonesia, Albania, Romênia, Vietnan (não è a China mas dá no mesmo).
    Deixando as culpas de lado, as bolsas são realmente muito bonitas, mas è importante que sejam verdadeiras. Caso contrário è melhor uma “no logo” com um bom material e um desenho original.
    Depois tem mais uma coisa: a Hermes faz parte do que eu chamo “kit rica”. Não è uma bolsa “normal” nem mesmo entre as européias.
    Me desculpe por escrever tanto.
    Vou continuar a seguir o blog.
    Ciao!

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    • Anninha disse:

      Oi, Marya.
      Obrigada pelos comentários. Eu partilho contigo a Hermés ser parte do “kit rica”. Há alguns meses, fui num evento onde blogueiras e enjoadas, por assim dizer, vendiam suas bolsas. Fiquei horrorizada com a quantidade de Birkins. Os preços variavam de BRL 8 a 30 mil (algo como EUR 2.5 a 10 mil).
      Não fiz nenhum comentário para não comprar brigas desnecessárias. Mas QUALQUER pessoa sabe que é impossível tanta Birkin à venda. Eu parei de procurar, mas vi, em pelo menos uns 8 que peguei na mão, que havia “discrepâncias” em arremate, tecido, etc.
      Também fico triste em saber dessa “terceirização”. Li sobre isso no livro do Roberto Saviano, “Gomorra”.
      No prédio em que trabalho aqui em SP, eu vejo hoje dezenas de mulheres empunhando suas LV – falsas! Não sei se compram de propósito ou se são enganadas, porque algumas as carregam com orgulho. Algumas chegam a doer, porque nem o canvas, nem a cor do couro bate. Uma tristeza.
      Aqui em SP há várias “réplicas”: absurdamente parecidas, made in China. Mas faça o teste da água ou carregue iPad, livros, zilhões de cosméticos para ver se aguentam. Estouram na primeira – como a LV de uma moça que estava reclamando porque a alça arrebentou.
      Estou fotografando uma Miu-Miu – não tive coragem de pagar pela falsificação, não custava meros BRL 70, estavam pedindo BRL 1,800 – por uma bolsa com “remendo” na costura. Então, está difícil achar as fotos.
      Keep in touch e ciao!

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  8. gostaria de comprar uma bolsa usada ,mas conservada para uma comadre que amo muito original claro e parcelada

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  9. meu comentario e o sequinte ,meu dinheiro nao e capim, meu marido trabalha pra caramba nos plantamos capim de verdade para alimentar nosso gado.

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    • Anninha disse:

      Oi, Adilene. Fiquei enrolada e não estava vendo o blog.
      Seguinte: bolsa falsa da Louis Vuitton dá para perceber pelo material, quando ela for de “canvas”, que é essa lona que tem o monograma. A original NÃO amassa, não fica com marca de dobras e é macia ao toque. HÁ réplicas muito boas, mas você vai perceber que não são originais pelos bolsos internos também. Alguns detalhes:

      *Cor do forro interno:
      – damier – xadrez marrom e cafe – tem forro vermelho;
      – damier azur – xadrez azul e creme – tem forro creme;
      – monograma marrom tem forro marrom.
      Nenhum forro é de “camurça”, nem tem logo LV. Nao gosto das monogramadas coloridas, então, não posso dizer qual a cor do forro original.
      * Alças:
      – damier – xadrez marrom e cafe – tem alça café;
      – damier azur – xadrez azul e creme – tem alça creme;
      – monograma marrom tem alça de couro macio bege, que com o tempo VAI ESCURECER e ficar no tom caramelo que você.
      NÃO EXISTE bolsa monogramada com alça já caramelo, a não ser que você compre usada.

      Existem sites que vendem bolsas originais USADAS – geralmente de gente que “enjoa”. O http://www.enjoei.com.br é um deles; o http://www.pegueibode.com.br também. Sites como de anúncios de segunda mão também, mas TEM QUE GARIMPAR muito. Mesmo assim, desconfie, principalmente das palavras “modelo exclusivo”, “lançamento”, “leilão a partir de 1 real”. Nenhuma griffe colocaria em risco um lançamento, nem deixaria terceiros venderem produtos exclusivos.

      Na dúvida, o site http://mypoupette.com/ aqui é cheio de dicas . Eo melhor: eles certifica a bolsa de segunda-mão que vende.

      A bolsa que eu postei não está a venda; eu jamais venderia um artigo assim. Comprei mesmo para compará-la com a original e escrever o post.
      Até tenho bolsas originais usadas, mas não penso em vendê-las no momento.

      Att.
      Anna Maria

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  10. adilene moura alves disse:

    enfim, gual e a diferencia notada na hora se e falsa ou verdadeira?

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  11. Debora disse:

    Comprei uma bolsa vuitton,usada do japao,mas tem todas as caracteristicas de original.Acho que nao fui enganada! Estou muito feliz,era meu sonho de consumo.

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