A RESIGNAÇÃO

Leila Hatami (Simin) e Peyman Moadi (Nader): até que a morte os separe?Com alguns meses de atraso – já que eu ando uma “intelecto-preguiçosa”, vou falar do ganhador do Oscar® de filme estrangeiro de 2012: “A Separação” (Jodaeiye Nader az Simin, 2011), filme iraniano que trata de… separação. Vale lembrar que eu mudei o parágrafo; quando comecei a escrever o post, ele ainda era “nomeado” e já havia levado o Golden Globe e mais um monte de prêmios.
Ok, qual a novidade em um filme sobre a separação de um casal – que Hollywood produz às toneladas?
Se você não tem um grande estúdio por trás, produtores com dinheiro para investir, atores de primeiro calibre – o que você faz? Investe no roteiro, claro. E foi isso que o diretor e roteirista Asghar Farhadi fez.
A surpresa do filme não é a história da separação em si – apesar não entender nada de leis islâmicas, fica muito claro que a separação do título é apenas um pretexto para expor o Irã atual, uma terra que ainda carrega resquícios de uma sociedade tribal e limitada a clãs. Sem mencionar a influência religiosa, que expõe as relações humanas entre as diversas classes sociais de um país que já foi um marco da História da humanidade. Enfim, o filme foi uma daquelas surpresas agradáveis – além de me levar de volta aos tempos de adolescente moderninha que frequentava as salas de cinema da Rua Augusta e região em busca das novidades européias, asiáticas e… do Oriente Médio?
Os créditos iniciais do filme se passam enquanto três passaportes são carimbados com vistos. Corta para a primeira cena, que mostra um casal perante um “juiz” – a mulher quer se separar do marido, uma vez que ambos e a filha conseguiram vistos para viajar ao exterior e o casal está em conflito. Situação: a esposa, Simin quer sair do país, o marido, Nader, não quer deixar o pai, que sofre de Alzheimer e nem permitir que a filha viaje com a mãe.
Segundo a lei iraniana, ou islâmica – eu não sei dizer – a separação, ou talvez o divórcio, só serão concedidos mediante acordo mútuo. Mútuo entre aspas: sabem aquela história de quando um não quer, dois não fazem? Aqui se aplica perfeitamente, pois o marido não quer, então, a esposa resigna-se em perder a disputa.
Mesmo assim, ela abandona o marido e a filha e volta a viver na casa da mãe. O marido deve então encontrar uma “faz-tudo”, alguém que faça o serviço de casa e ainda cuide de seu pai doente.
É então que entra em cena a empregada, uma religiosa extremista, que esconde do marido depressivo que está trabalhando. E o filme dá um reviravolta onde Nader, o marido se vê na condição de “injustiçado” pela lei, divergências entre os iranianos “liberais” e os fundamentalistas vêm a tona, a confusão que é o sistema judiciário iraniano nos deixa, brasileiros, felizes por ter um sistema ineficiente mas pelo menos, com direito a advogados.
Não dá para contar muitos detalhes porque é praticamente, contar o filme. Mas imaginem uma situação onde o espectador, a cada momento, encontra “novos culpados” pela situação, e conceitos como honra e orgulho são levados ao pé da letra, o que gera reviravoltas e mais reviravoltas – e resignação, acima de tudo.
Para quem não viu e pretende ver, segue o trailer do filme.
Sinceramente, um dos melhores filmes que já vi em minha vida.

Sobre Anninha

Além de viciada em cultura pop, ainda resolvi bancar a mochileira depois do 40 - e comer pra caramba, já que é para isso que eu treino Crossfit. Divirtam-se!
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