ONDE HABITA ALMODÓVAR

Há algum tempo, eu escrevi um post sobre um dos meus cineastas favoritos, Pedro Almodóvar. Se quiserem mais detalhes, procurem na categoria Cinema do blog, “Mais Altos que Baixos de Almodóvar”.
Ontem estava no shopping cansada de procurar um determinado tipo de sapato número 33 – sim, eu calço 33 – e resolvi assistir “A Pele que Habito” (La Piel que Habito, 2011) . Muita gente meteu o pau no filme. Mas uma coisa me chamou a atenção no cinema ontem: o brasileiro médio não está pronto para filmes fora do esquemão Hollywood.
Não é a melhor obra de Almodóvar. Mas não é nem de longe tão ruim quanto “Kika” (Kika, 1993), na minha opinião, o filme menos inspirado dele. Eu até quero assistir de novo para ter certeza de que este filme não é tão ruim quanto me lembro. Em tempo: segundo meus amigos, tenho uma memória espetacular, portanto, o filme dever ser ruim mesmo.
Antonio Banderas é um cirurgião que desenvolveu uma pele sintética, transgênica. Tivera sido desenvolvida anos atrás, ele teria salvo a esposa, que falecera vítima de queimaduras – mas não necessariamente por causa delas. Banderas sempre foi um coadjuvante até “Ata-me”(Ata-me, 1990), que ele co-protagonizou com a Victoria Abril. Este filme colocou Banderas no spot de Hollywood. Mas ele nunca teve um papel decente por lá, a não ser nos filmes do Robert Rodriguez. Aqui ele teve a chance de mostrar talento, mas eu achei sua interpretação contida demais para um filme do Almodóvar. A seu favor, posso dizer: ele está ainda mais charmoso do que nunca!

Elena Anaya e Marisa Paredes

Marisa Paredes, uma de minhas atrizes favoritas, é a “cúmplice” dos experimentos do médico. Sem comentários. Ela está perfeita no papel.
A vítima é Elena Anaya, mais conhecida por “Lúcia e o Sexo” (Lucía y el Sexo, 2001) e algumas participações em Hollywood, se bem que eu não me lembro muito dela.
Como em todos os filmes de Almodóvar, há a reviravolta do roteiro – que eu saquei logo, talvez pela “prática” – fortes menções ao homossexualismo e lógico, o relacionamento vítima e algoz. O que não funciona no filme são os atores falando português. Fico feliz que Almodóvar adore o Brasil e a Bahia, mas Pedrito, não mistura as coisas, vai!
Português à parte, vamos ao que mais me fascina em Almodóvar: o relacionamento vítima-algoz. Não somente no sentido literal da palavra: ele mostra que no dia-a-dia somos todos vítimas e algozes, e há um prazer sado-masoquista nisso. Pode ser em relação ao trabalho, as paixões e amores, às relações familiares. E eu acho essa sacada do Almodóvar o gancho” principal de sua carreira. Então, por mais fraco que o filme seja, é melhor que muito lixo que lota as salas de cinema por semanas.
O filme é um thriller que toca em temas comuns aos europeus, mas nem tão comuns ao brasileiro – que se diz liberal, mas tem a cabecinha tão fechada quanto um cofre.
Em cenas dramáticas, o povo no cinema RIA. Sim, eles caíam na gargalhada. Gente: não é engraçado. Essa risada chega a ser preconceituosa. E isso me empolgou a escrever o post, senão, eu passaria batido.
Almodóvar é o cineasta europeu mais popular hoje em dia. Mas eu acredito que quem ri de Almodóvar quando NÃO é para rir, jamais vai entender um Ingmar Bergman, um Win Wenders, um Federico Fellini.
Algumas vezes eu acho que as pessoas perdem a noção do que é belo e inovador. Não vou dizer que eu não dei umas risadas durante o filme. Mas o meu timing era diferente do das outras pessoas.
Quem me conhece sabe que eu não sou esnobe nem metida, mas eu fiquei chocada com a reação das pessoas: eles riam das cenas como se fossem pornochanchadas brasileiras dos anos 70, o que não é o caso.
Enfim, não entra na minha lista de favoritos do Almodóvar. Mas que é melhor que  “Gigantes de Aço” (Real Steel, 2011), isso é. Que me desculpem os pais e os fãs de vale-tudo.
Mais um detalhe, este para as meninas: a mãe da vítima aparece com uma bolsa Gucci New Jackie e a Marisa Paredes com uma Gucci Bamboo! 😉

Sobre Anninha

Além de viciada em cultura pop, ainda resolvi bancar a mochileira depois do 40 - e comer pra caramba, já que é para isso que eu treino Crossfit. Divirtam-se!
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