MAIS ALTOS QUE BAIXOS DE ALMODÓVAR

Estou de volta! E mais inspirada do que nunca, vou desatar a falar de cinema europeu sempre que puder.
Pois bem, há algumas semanas, fui com meus primos até uma locadora de DVDs – eu não frequento um lugar desses há séculos, eu alugo via NetMovies (propaganda gratuita). Na dita locadora há uma prateleira de “desovas”, ou seja, filmes que eles compraram em quantidades estratosféricas para atender a demanda na semana do lançamento e depois precisam se livrar deles.
Encontrei então, “Abraços Partidos” (Los Abrazos Rotos, 2009), de Pedro Almodóvar, a meros R$ 6,50. Este, de acordo com a crítica, não é um dos filmes mais inspirados do espanhol, mas o filme me surpreendeu. Pode não ser o melhor Almodóvar, mas já é um dos meus preferidos.
O filme conta a história de um escritor e roteirista cego, que outrora foi cineasta. Ele perdeu a visão durante um acidente onde também perdeu a mulher que amava. A morte de um empresário traz a tona memórias dolorosas e o filme se desenrola em flashbacks.
Claro que o principal papel feminino coube a “La Pe”, Penélope Cruz. Essa é uma atriz por quem eu não dava nada, confesso, mas desde “Volver” (Volver, 2006), virou uma de minhas atrizes favoritas – eu choro todas a vezes que a vejo cantando no filme e digo isso sem vergonha nenhuma.
Ao assistir “Abraços Partidos”, reparei que Almodóvar faz referências a outro de seus filmes, “Mulheres à Beira de uma Ataque de Nervos” (Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios, 1988), o filme que colocou Almodóvar no patamar dos diretores estrelados europeus.
O que me faz lembrar o seguinte: assisti “Mulheres” há anos atrás e depois, nunca mais o vi. Nem mesmo na TV. Coloquei na minha lista do NetMovies mas eis que um dia, num “família-vende-tudo” aqui do bairro, eu achei o DVD, numa caixinha ainda lacrada por R$ 10,00! Comprei na hora.
Após assistir “Abraços Partidos”, emendei com “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”.
O que eu mais gosto do Almodóvar – e eu acompanho sua carreira há anos – é a facilidade com que ele expõe o universo feminino. Ele é gay assumido, mas suas musas são mulheres: Penélope Cruz, Carmen MauraMarisa Paredes, a “picassiana” Rossy de Palma e até a argentina Cecilia Roth, sem esquecer Vitoria Abril – esta última, não tive tempo de pesquisar para saber porque deixou de fazer parte do “círculo” de Almdóvar.
“Mulheres” é um dos meus filmes preferidos porque a história, abilolada, é somente um exagero do que pode acontecer com qualquer mulher. A Pepa de Carmen Maura é uma amante que viveu como esposa durante anos – já que a esposa do amante estava em um hospício. Ela descobre que está grávida e tenta desesperadamente falar com o amante – naquele tempo, celular era um luxo e a comunicação telefônica era bem mais complicada. Enquanto ela tenta encontrar o amante, vários personagens se encontram em seu apartamento: a amiga bonita e ingênua que se apaixona por um terrorista, um casal que procura um apartamento para alugar, a polícia…
A carreira de Almodóvar tem altos e baixos sim. Mas todo cineasta tem. E como eu disse, ele filma o universo feminino e gay. E nenhum destes rótulos prejudica seu talento.
Um outro clássico de Almodóvar, na minha opinião, é “Tudo Sobre Minha Mãe” (Todo Sobre Mi Madre, 1999), que levou o Oscar. A argentina Cecilia Roth dá um banho de interpretação como a mãe que tenta lidar com a dor da perda do filho num emprego onde ela é constantemente lembrada disso. E a Penélope Cruz aparece aí num papel minúsculo, mas enroladíssimo: uma freirinha grávida? Não digo quem é o pai porque estraga o filme para quem nunca o assistiu.
Se vocês preferem algo mais pesado, tentem “Carne Trêmula” (Carne Trémula, 1997). Este filme me fez querer dar uma bica em um amigo que, metido a saber tudo, me disse: “Filme do Almodóvar é tudo igual, sempre o marido trai a mulher”. Wrooooooooong! É sempre a mulher quem apronta, ou se não apronta, pelo menos se vinga muito bem vingada! Detalhe: eu nunca ouvira falar do Javier Bardem até este filme. Gracias, Almodóvar!
E não esqueçam de “Fale com Ela” (Hable con Ella, 2002), outro vencedor de Oscar. A Academia pode cometer gafes, mas os filmes do Almodóvar que ganharam Oscar mereceram. Lembrem-se que “Fale com Ela” tem uma temática meio hardcore – afinal de contas, apaixonar-se por pessoas em coma não é tão simples. O próprio “Volver” tem um tema muito forte – mas este tem que contar menos ainda, ou estraga o final.
Eu queria encontrar no youtube a cena da Penélope Cruz cantando em “Volver”, ou da explicação de como foi feito o gazpacho em “Mulheres…”, mas só encontrei a cena do segundo em italiano.
Se virem! E procurem o filme para saber porque o gazpacho é tão especial…

Sobre Anninha

Além de viciada em cultura pop, ainda resolvi bancar a mochileira depois do 40 - e comer pra caramba, já que é para isso que eu treino Crossfit. Divirtam-se!
Esse post foi publicado em Cultura Pop, TV e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s