DOIS COELHOS NUMA CAJADADA SÓ

Hoje eu não resisti e resolvi escrever mesmo cansada.
Assisti “Cisne Negro” (Black Swann, 2010) , o que junta minhas duas de minhas várias paixões: ballet e cinema.
O filme é dirigido por Darren Aronofsky, e alterna lucidez e demência, que é uma característica deste jovem e talentoso diretor. Por isso meninos, deixem o preconceito de lado e assistam ao filme ao lado de esposas e namoradas, pois todas já passaram por alguma aula de ballet na vida. E não sejam ignorantes ao ponto de achar o filme “uma viagem”.
Não sou grande conhecedora da obra de Aronofsky, mas um dos meus filmes preferidos, ao qual eu assisto sempre que possível, é obra dele. Este filme é “Réquiem Para um Sonho” (Requiem for a Dream, 2000). Decidi que preciso conhecer o restante de sua obra.
O paralelo que eu tracei entre “Cisne Negro” e “Réquiem para um Sonho” é que Aronofsky é o tipo de diretor que extrai de seus atores o máximo que eles podem render para o aspecto psicológico dos personagens.
Em “Réquiem”, ele juntou quatro atores que nada tinham em comum: um ídolo adolescente lindo de morrer, Jared Leto; uma atriz de filmes adolescentes prestes a se tornar vencedora de Oscar e uma das atrizes mais respeitadas das telas, Jennifer Connelly; uma veterana vencedora de Oscar que estava relegada a papéis secundários, Ellen Burstyn e um comediante vindo de uma família de talentos, mais conhecidos por comédias como “Todo Mundo em Pânico”, Marlon Wayans, do clã Wayans. Todos em papéis dramáticos, que retratam o vício em drogas que acomete a sociedade não importa classe social, idade, sexo e que mostram o quanto o ser humano pode se destruir psicologicamente em busca de algo que nem ele mesmo sabe o que é. E extraiu de todos eles interpretações memoráveis.
A fotografia de “Réquiem” é sufocante, alternando a realidade e os surtos psicóticos dos viciados em questão com uma trilha sonora grudenta, que permeia várias cenas do filme.
Esse mesmo recurso ele volta a utilizar em “Cisne Negro”, e a escolha do elenco não poderia ser mais perfeita.
Para quem não sabe, “O Lago dos Cisnes” é o ballet de repertório que mais exige de uma bailarina, e por isso, o papel de Odette, a princesa que se transforma em cisne devido a uma maldição, é disputado a ferro e fogo.
“Cisne Negro” conta a história da bailarina Nina, interpretada pela excepcional Natalie Portman, que se não vencer o Oscar eu chegarei a conclusão que a Academia está viajando mais que os personagens do filme. Ela é escolhida para interpretar a Odette, no que eu creio seja o New York City Ballet.
O problema é que, além da mãe simultaneamente super protetora e obsessiva, Nina vê o ballet como a única saída para controlar sua própria vida. Assim, ela sofre com a obsessão com o perfeccionismo, a constante necessidade de aprovação alheia, ao ponto de ter uma técnica impecável, mas ainda assim, sem emoção.
E Aronofsky extrai de Natalie o máximo do comportamento obsessivo e autocontrolado.
Esse comportamento sofre um choque ao conhecer Lily, a bailarina que ao contrário de Nina, tem técnica razoável, mas é pura sexualidade e descontração. Surpresa: a atriz que a interpreta é a ucraniana Mila Kunis, mais conhecida como a insuportável Barbie-I-wanna-be Jackie do seriado “That’ 70s Show”.
Mas tenho que reconhecer que o Vincent Cassel rouba a cena como o coreógrafo duro, que usa a sexualidade como arma para extrair o máximo da bailarina. Aliás, esse homem é o “feio mais bonito” que eu conheço. Ele é tão sexy, imponente e charmoso que eu entendo perfeitamente porque a Monica Belluci se casou com ele.
Ah! Tem uma pontinha da Winona Ryder, uma atriz talentosa que está “na geladeira” de Hollywood depois daquele furto da Barney’s. E a Barbara Hershey, famosa por filmes de Woody Allen, fantástica como a mãe obsessiva. Só que eu achei ela a cara da sueca Lena Olin, envelhecida no Photoshop uns 10 anos, de tanta plástica.
A fotografia é linda e o comportamento insano de Nina é muito parecido com o comportamento psicótico dos personagens de “Réquiem”.
Ah! E sobre o ballet? Claro que eu amei. A Natalie Portman dança de verdade e emagreceu 8 quilos para o papel – isso porque ela já era magérrima.
Tudo que as pessoas não vêem, mas quem praticou ballet muitos anos conhece, Aronofsky mostra no filme.
Quando eu tinha uns 7 anos, comecei a fazer aulas de ballet. Eu preferia tirar notas baixas na escola a perder um ensaio. Como vocês sabem, bailarina eu não sou, mas não que eu não tenha tentado.
Vejam bem: uma bailarina clássica é uma criatura de aproximadamente 1.60m, que pesa 40 quilos, não tem peito, nem quadril, não tem fome, não sente dor. Eu já fui desqualificada aos 12 anos quando comia o que queria, era a mais peituda da sala e tinha uma bunda que servia apenas para definir os músculos das minhas pernas. A propósito, agradeço ao ballet o fato de ter pernas fortes até hoje, mesmo que eu tenha problemas nos joelhos, no arco dos pés e NUNCA tenha usado SANDÁLIAS até os 25 anos, porque meu pé tinha muitos calos e as unhas não eram assim, uma coisa bonita de se ver. Mas alguns anos longe das sapatilhas e os pezinhos começam a ficar relativamente normais.
Esse lado do ballet ninguém lembra quando assiste a apresentação. Nem mesmo quem dança. A dor passa quando você encharca o pé de Xylocaina e é só embrulhar com bastante esparadrapo que você nem sente a dor… quer dizer, até você puxar o dito cujo e a unha sair junto. Molhar a sapatilha e ficar na segunda posição para alargar um pouco, depois encharcar a sola para ela moldar no seu pé? Básico. Ou vocês acham que é normal esse pé curvado aí da foto?
Me deu saudades, mas quando eu lembrei da dor… ugh… passou.
Hoje eu prefiro assistir.

Sobre Anninha

Além de viciada em cultura pop, ainda resolvi bancar a mochileira depois do 40 - e comer pra caramba, já que é para isso que eu treino Crossfit. Divirtam-se!
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2 respostas para DOIS COELHOS NUMA CAJADADA SÓ

  1. Helena Vieira disse:

    Oi, Anna,
    Que ótima surpresa conhecer o seu blog. Adorei a sua forma de escrever, leve e gostosa. Assisti ao Cisne Negro e amei. Adorei ler as informações que você coloca aqui. Coloque sempre no Facebook! Beijo, Helena

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