SAUDADES DA GUERRA FRIA…

Descobri nas últimas semanas que eu sinto saudades da Guerra Fria. Os mais jovens que passaram as aulas de história cochilando nem devem saber do que se trata, então, vou explicar rapidamente para não tornar o post chato (apesar do link aí em cima, preguiçosos).
Depois da II Guerra Mundial, houve uma polarização que dividiu o mundo politicamente: os países denominados “livres” e os países da “Cortina de Ferro“. A grosso modo: os países alinhados aos Estados Unidos e os países alinhados a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – um emaranhado de países na Europa Central e do Leste, sob domínio da U.R.S.S. supramencionada, além de Cuba, China e outros perdidinhos no Oriente.
Naquela época, os países desenvolvidos “livres” eram o Primeiro Mundo; os “desenvolvidos” da Cortina de Ferro eram o Segundo Mundo e o resto era o Terceiro Mundo, hoje conhecidos pelos politicamente corretos títulos de “Emergentes” ou “Em Desenvolvimento”.
Havia terrorismo sim, mas não eram tão extremistas… o mundo era bem mais gostoso…
Enfim, a literatura e o cinema nunca foram tão frutíferos quanto neste período.
Naquela época, e eu cresci já no período em que a Guerra Fria estava “esfriando”, todos morríamos de medo de uma guerra nuclear entre URSS e EUA. Lembro-me de um filme-catástrofe que foi um sucesso, “O Dia Seguinte(The Day After, 1983), que era sobre os efeitos de um ataque nuclear numa cidadezinha dos EUA.
Claro que  teve muito lixo como “Amanhecer Violento(Red Dawn, 1984), sobre um grupo de adolescentes que tem que lutar contra os soviéticos que invadiram os EUA. Desnecessário dizer que eu assisti ao filme devido aos talentos estéticos, digo, dramáticos do elenco encabeçado por Patrick SwayzeCharlie SheenC. Thomas Howell. A propósito: o C. Thomas tá acabadinho, né?
Voltando ao assunto: fiz uma sessão de cinema Cortina de Ferro.
Falei que não me lembrava dos filmes do Hitchcock da virada dos anos 60 para os 70. Apesar de claramente não haver química entre os olhos azuis do Paul Newmann e a direção do Hitch, “Cortina Rasgada(Torn Curtain, 1966), funciona. Thriller sem muito humor, mas com um tema que seria explorado a exaustão nos anos seguintes: o cidadão comum que não é tão comum e que troca de lado. Vale pelas cenas de Kopenhagen e também da Berlin antes da queda do muro. Na minha modesta opinião, é quase uma refilmagem de “O Homem que Sabia Demais(The Man Who Knew Too Much, 1956) – impossível não comparar a sequência final de ambos os filmes.
Depois de “Cortina Rasgada”, assisti a “Topázio(Topaz, 1969). Este é sobre uma conspiração que envolve agentes duplos, URSS, EUA e Cuba logo após a tomada do poder pelo “imorrível” Fidel Castro  – minha teoria conspiratória é de que ele já empacotou, mas isso é assunto para outro post. A verdade é que o filme não é aquela porcaria que os críticos pintaram.
Isso me fez lembrar de filmes que falam sobre a Guerra Fria e também sobre filmes que versam sobre o pós, sobre queda do comunismo.
Para quem quiser conhecer mais sobre o assunto sem recorrer aos livros de história, assista o “Decálogo (Dekalog, 1988), dez episódios feitos para a TV polonesa baseados nos Dez Mandamentos, onde as histórias e os personangens se cruzam num condomínio de Varsóvia, no pós-Socialismo. Dirigido pelo grande Krzystof Kieslowski, mais conhecido pela “Trilogia das Cores”, três dramas distintos e intimistas que usa o mote das cores da bandeira francesa para contar as histórias, “Decálogo” abriu as portas para o cineasta no Ocidente. Eu AMO esse diretor, e quem falar que os filmes são chatos vai levar uma bordoada virtual.
Então, entre outras obras sobre a Guerra Fria e o pós-Socialismo, temas que voltarei a abordar, assistam “A Vida dos Outros(Das Leben der Anderen, 2006). Este filme discorre sobre a vida na RDA, a antiga República Democrática da Alemanha, o lado socialista da Alemanha do pós II Guerra Mundial. É sobre um capitão da Stasi, a assustadora polícia política da Alemanha Oriental, que durante o ano de 1984, deve “monitorar” (grampear) a vida de um dramaturgo… só que ele se envolve demais na vida do sujeito… Eu choro muito no filme, viu?
E outro imperdível é “Adeus, Lênin!(Good Bye, Lenin, 2003), uma “comédia dramática” sobre um rapaz que vira o próprio mundo do avesso para cuidar da mãe doente logo após a queda do Muro de Berlin.
Deixo vocês com os trailers dos dois filmes… procurem na Netmovies que tem!
Adeus, Lênin!

A Vida dos Outros

Sobre Anninha

Além de viciada em cultura pop, ainda resolvi bancar a mochileira depois do 40 - e comer pra caramba, já que é para isso que eu treino Crossfit. Divirtam-se!
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