EU TENHO INVEJA DOS CHILENOS

Sim. Às vezes, eu tenho inveja dos chilenos. Não apenas porque em Santiago existem calçadas onde se pode caminhar sem correr o risco de quebrar o tornozelo, como em São Paulo. Mas porque eles são do car…amba!
Sábado passado assisti a um documentário sobre o resgate dos mineiros chilenos. Deixando de lado a propaganda involuntária do evento, realmente foi um exemplo de como um governo decente e um povo ainda mais decente consegue grandes feitos.
“Sou brasileiro, corinthiano, sofredor”. Mentira. Sou brasileira, não sou corinthiana e não me considero sofredora. E a maioria dos brasileiros deveria ter vergonha na cara e parar de se lamentar.
O povo brasileiro é sofrido? É. Em termos.
Seca no nordeste, enchente no sul e sudeste… mas isso é fichinha se comparado com o Chile.
Vejam bem: existe a história batida de colonização espanhola, massacre de índios mapuche e “otras cositas más”. Mas alguém já viu chileno enchendo o saco por isso? Deve até ter, mas eu não conheço nenhum (e eu conheço muitos chilenos, acreditem).
Nos últimos cinquenta anos, o país saiu de uma quase ditadura de esquerda direto para uma ditadura de direita. Enfrentou dois terremotos de mais de 8 pontos na escala Richter – sem mencionar os “temblores” quase diários. Tem um dos desertos mais severos do mundo. O país todo é uma “tripa” de 756 mil m2, se contarmos a Ilhas de Páscoa e Sala y Gómez. Orla voltada para o Oceano Pacífico, sobre uma placa tectônica que parece quadril de rainha-da-bateria de escola de samba.
Mesmo assim, quando ocorre qualquer tragédia, o povo não se lamenta: se une e trabalha para obter a melhor solução possível. Foi esse sentido de cooperação que resgatou aqueles mineiros de Copiapó.
Claro que este não foi o único acidente com mineiros do Chile. Com certeza devem morrer vários mineiros por ano, que infelizmente não atraem a atenção da imprensa porque devem ser casos isolados.
Mas nunca se viu tamanho trabalho de resgate na área de mineração.
O mais impressionante foi como eles sobreviveram. Por dezessete dias, os mineiros racionaram comida, que consistia em atum, pêssego em conserva, biscoitos e leite, e fizeram uma escavação para encontrar água. Destes dezessete dias, por cinco dias eles acreditaram que iriam morrer, pois não ouviam barulhos e concluíram que ninguém buscava por eles.
Lógico que esse senso de sobrevivência não é característica só dos chilenos. Esses mineiros perceberam que se não cooperassem entre si, as chances de sobrevivência seriam remotas. Mas se o povo não se unisse para pressionar o governo, a Codelco e a empresa proprietária da mina, os mineiros teria morrido soterrados, sim.
Setenta e dois dias a setecentos metros abaixo do solo, recebendo comida e remédios por sonda, sem direito a cama, nem banho, dividindo um espaço minúsculo. Como eles não se mataram?
Não sei. Mas esses participantes ridículos dos “Big Brothers” da vida deveriam se espelhar nisso. E olha que os mineiros nem estavam concorrendo a prêmio nenhum…
Fica aqui a mensagem que comoveu o mundo:

Sobre Anninha

Além de viciada em cultura pop, ainda resolvi bancar a mochileira depois do 40 - e comer pra caramba, já que é para isso que eu treino Crossfit. Divirtam-se!
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