COMO ESTRAGAR UM BOM LIVRO

Dias atrás eu escrevi um post sobre um dos melhores livros que já li em minha vida: “The Lovely Bones”, de Alice Sebold. Este livro foi adaptado para o cinema por Peter Jackson, o responsável pela trilogia “Senhor dos Anéis”.
Apesar de ter lido críticas horrorosas a respeito do filme, resolvi assisti-lo mesmo assim. Até porque nem sempre a crítica está certa, acho que no mundo do entretenimento não existe certo ou errado e sim, gostei ou não gostei. Mas é a MINHA opinião.
Enfim, como mencionei no post anterior, achei a escolha da Rachel Weisz para interpretar a Abigail Salmon, mãe da personagem principal – Susie Salmon, uma adolescente assassinada aos 14 anos – perfeita. A Rachel Weisz é uma atriz de recursos ilimitados, umas das melhores de sua geração. O personagem é um dos mais complexos do livro, ou seja: seria o casamento perfeito. Mas o que aconteceu? O Peter Jackson só a colocou para chorar. Desperdício.
Claro que o livro tem vários personagens secundários que são dispensáveis e em roteiros de cinema, é comum condensarem dois personagens em um só. Mas não dar espaço suficiente para a Ruth Connors, a adolescente que fica obcecada pela morte da colega de escola desequilibrou o enredo.
Também é comum condensarem situações, mas vamos com calma: inverter a ordem das coisas nem sempre funciona.
A personagem mais próxima do livro é a da Susan Sarandon, a Grandma Lynn. Como sempre, uma interpretação sensacional.
O Mark Wahlberg, como Jack Salmon o pai, se esforça.
Já o Stanley Tucci, como o assassino George Harvey, tem uma interpretação calculista e econômica e por isso mesmo, perfeita.
E a irmã? Foi relegada a adolescente enxerida. A Lindsey Salmon, interpretada pela Rose McIver, é crucial na trama, não só por querer desmascarar o assassino, mas pela riqueza da personagem em si, a irmã do meio que tenta se desvincular da imagem da irmã assassinada. E através da qual a Susie Salmon, papel da Saoirse Ronan, passa a “viver” as emoções terrenas.
Tudo isso sem falar no ESTRAGO que fizeram no final. Neste momento eu entendi porque estragaram uma cena essencial no começo da trama.
Só faltou o Peter Jackson ressuscitar a vítima para ter final feliz, num paraíso parecido com a Terra Média de “Senhor dos Anéis”, cheia de elfos…
Mas o trailer, que promete o que não cumpre, é tão bonito que vale ver muitas vezes.
Ah! Os efeitos especiais são bonitos… mas não carregam um filme.

Sobre Anninha

Além de viciada em cultura pop, ainda resolvi bancar a mochileira depois do 40 - e comer pra caramba, já que é para isso que eu treino Crossfit. Divirtam-se!
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2 respostas para COMO ESTRAGAR UM BOM LIVRO

  1. Roberto Costa disse:

    Anna, adoro ler seus comentarios. Sao intensos e cheios de emocao!

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    • Anninha disse:

      Obrigada! Mas que sirva de lição: tá vendo o que dá ter pai italiano que acha que se a filha fizer faculdade de Artes Plásticas ou Rádio e TV vai ficar pobre o resto da vida? Estimula uma pseudo-crítica de entretenimento frustrada.
      Bom, pelo menos eu fiz FAAP. 😀

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