QUE PAÍS É ESTE?

Uma das coisas que eu prometi a mim mesma ao iniciar este blog, foi NUNCA comentar sobre política ou trabalho (o MEU trabalho).
Mas estamos em ano de eleições e de antemão, gostaria de esclarecer que não sou de direita nem de esquerda. Eu sou apenas pró-democracia. Abomino qualquer tipo de ditadura.
No meu último post, eu fiz uma breve menção ao Legião Urbana, na minha opinião, a banda que mais falou a linguagem dos jovens recém-saídos da Ditadura Militar, nos anos 80. Eu meio que os comparei ao U2: jovens que simplesmente registraram, através da música, seus cotidianos, afetados pela situação política de países em transição – fossem elas de fundo religioso (Irlanda) ou puramente político.
Eu tenho VERGONHA de nossos políticos. Pior: eu tenho vergonha do POVO brasileiro, que reclama, mas continua a votar nas mesmas figuras promíscuas, sem caráter. O povo brasileiro assiste a degradação das instituições que deveriam impulsionar o país e ainda tira sarro, fecha os olhos e assina embaixo a indecência e a hipocrisia de nossos pretensos líderes ou representantes do povo.
Da mesma forma que o U2, o Legião Urbana também me foi apresentado através do “Crig-Rá”.
Aliás, acho que terei que escrever um post em homenagem a eles, pois se eu não fui uma adolescente “alienada” e tapada, foi entre outras coisas, graças ao contato que eu tive com esse pessoal que até hoje está por aí, mostrando seu talento: Marcelo Tas no C-Q-C e Fernando Meirelles como cineasta respeitado.
Mas enfim, o que me dói profundamente, é que uma das músicas do Legião Urbana continua tão atual quanto naquela época.
“Que País é Este?” foi composta em 1978, portanto, há 32 anos atrás. Foi lançada somente em 1987, no álbum de mesmo nome.
Vejam bem: quando o Renato Russo criou a letra desta música, a referência era a Ditadura Militar. Em 1987, recém-saídos da ditadura – mas ainda esperando a primeira eleição direta para presidente, ela se encaixava no perfil do governo da época. Para quem não se lembra, tivemos uma eleição indireta para Presidente em 1985, Paulo Maluf x Tancredo Neves. Eram dois candidatos civis, depois de 21 anos sob comando militar. Tancredo venceu, mas não assumiu o poder porque faleceu antes. E o Sarney assumiu.
Hoje, o primeiro verso desta música continua atualíssimo:
“Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação”.
Talvez o verso que diz:
“Terceiro Mundo virou
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão”,
tenha este sim, ficado ultrapassado. Não existe mais Terceiro Mundo após o fim da Guerra Fria, e estes países são hoje chamados de “Emergentes” ou “Em Desenvolvimento”. Além disso, nossos índios se mostraram bem mais espertos – sem falar nas mordomias que eles conseguiram com os ecochatos como o Sting. Adoro Sting, mas as vezes tenho ganas de dar-lhe uma porrada por ser tão mala.
Mas com os candidatos que temos a senadores, deputados… eu realmente tenho que concordar que as palavras foram, se me permitem a comparação, “proféticas”.
A qualidade do vídeo está horrorosa, mas vale a pena ver o Renato Russo e seus trejeitos de Ian Curtis – o vocalista suicida do Joy Division, banda inglesa que após ajustes post-mortem, viria a se chamar New Order.

Sobre Anninha

Além de viciada em cultura pop, ainda resolvi bancar a mochileira depois do 40 - e comer pra caramba, já que é para isso que eu treino Crossfit. Divirtam-se!
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