UMA VARIAÇÃO QUE VALE A PENA

Dizem que só existem vinte histórias originais no mundo. Ou estórias, se não forem relacionadas a fatos históricos, mas confesso que não sei se ainda usamos esta variante aqui no Brasil, então me corrijam com seus comentários porque até procurar na internet está confuso. Enfim, dizem que existem apenas vinte e o resto são variações das mesmas.
Então vou falar de um livro que não deixa de ser uma variação de uma estória, mas que me deixou numa situação complicadíssima, com lágrimas nos olhos em plena academia de ginástica.
Este livro chama-se “The Lovely Bones”, de Alice Sebold, aqui traduzido para “Um Olhar do Paraíso”. Até que não é uma tradução ruim, mas eu li o livro no original e o título tem mais sentido assim.
Basicamente, é a estória de uma adolescente que tem sua vida interrompida de forma violenta e passa a observar tudo que se passa na Terra de um lugar que ela denomina “InBetween”, ou as vezes “in my own heaven”.
Até aí, nada de muito original. Estórias de espíritos, pessoas que “morrem” ou  “desencarnam” de acordo com os dogmas de cada religião são comuns, principalmente o fato de que muitas vezes elas acreditam que têm assuntos inacabados na Terra e ficam “presas” em algum lugar que não é bem o paraíso; pode ser o “purgatório” de Dante, adotado pelo Catolicismo, ou o “umbral” do Espiritismo. Ou mesmo, os espíritos podem ser fantasmas que ficam vagando na Terra. Este mesmo mote foi utilizado no filme “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, quando o Patrick Swayze vaga aqui pela Terra, para proteger a Demi Moore e encontrar seus assassinos. Sem mencionar os livros da Zibia Gasparetto e do Chico Xavier, que confessem, todo mundo já leu algum.
O que me encantou em “The Lovely Bones” foi a maneira como a estória é narrada. Um primeiro capítulo forte, e o restante é de uma delicadeza ímpar.
No mundo visto pelos olhos de Susie Salmon – “My name is Salmon, like the fish; first name, Susie” transparece a dor, a sensação de impotência, mas em nenhum momento, de depressão. Ela acompanha a vida das pessoas que ama – ou aprende a amar desde seu paraíso particular – durante anos, assim como a vida de seu assassino.
O livro fala de redenção, mas de maneira sutil, elegante, jamais piegas. Fala de como a morte de um filho pode desequilibrar uma família, fato conhecido e muito comum. Mas dificilmente derrama-se uma lágrima. Eu passei o livro inteiro encantada com a narrativa.
Claro que com um tema destes, sobram umas lágrimas aqui e ali. E elas me vieram aos olhos hoje, no fim do livro. Mas não foram lágrimas de angústia… foi um “choro bom”, que eu só lembro de ter sentido algo igual ao final de “O Amor nos Tempos do Cólera”, de Gabriel García Marquez. Aquele choro de alívio, de alegria.
Quem não tiver paciência de ler o livro, que veja o filme; o trailer está logo aqui. É verdade que o filme foi malhado pela crítica – mas justamente porque parece que a “alma” do livro foi posta de escanteio. Não vi o filme ainda, então não vou opinar.
Particularmente, eu acho que a Rachel Weisz e a Susan Sarandon foram as escolhas perfeitas para representarem a mãe e a avó da Susie Salmon, assim como o Michael Imperioli caiu como uma luva para o papel do detetive. Estou curiosa em relação ao Stanley Tucci, pois ele recebeu uma indicação ao Oscar pelo papel. Um ótimo ator sempre relegado a papéis de coadjuvante.
Boa leitura – ou bom DVD!

Sobre Anninha

Além de viciada em cultura pop, ainda resolvi bancar a mochileira depois do 40 - e comer pra caramba, já que é para isso que eu treino Crossfit. Divirtam-se!
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